Quando a escola vira uma medida de valor: conversas que podem aliviar a pressão sobre adolescentes

A escola organiza parte importante da vida de muitos adolescentes: horários, amizades, provas, escolhas e expectativas sobre o futuro. Também pode se tornar um lugar onde a pessoa começa a medir o próprio valor por notas, desempenho, velocidade e comparação. Nem sempre isso aparece em uma frase direta. Às vezes vem no “não sei”, no adiamento, na irritação, no medo de errar ou na sensação de que nunca é suficiente.
O calendário nacional de ações do Programa Saúde na Escola prevê o Dia do Estudante em agosto e inclui, no ciclo de 2025–2026, temas como promoção da saúde mental, prevenção das violências e cultura de paz. A presença desses temas no ambiente escolar é relevante porque lembra algo básico: aprender não acontece separado da vida emocional e das relações.
Perguntar “como foi?” pode abrir mais do que falar de nota
Quando a preocupação aparece, é comum que os adultos comecem por cobranças práticas: entregou o trabalho? estudou? qual foi a nota? Essas perguntas têm seu lugar, mas não esgotam a experiência de quem está vivendo aquele período. Às vezes, vale perguntar como a pessoa se sentiu em uma situação, com quem conseguiu conversar, o que está pesando ou o que tem sido difícil nomear.
Escuta não é concordar com tudo nem retirar todos os limites. É criar um espaço em que o adolescente não precise transformar cada dificuldade em prova de fracasso. Muitos conflitos pioram quando a conversa começa já com uma sentença: “você não se esforça”, “você precisa reagir”, “na minha época era mais difícil”.
Desempenho é parte da história, não a história inteira
Uma nota pode indicar que algum conteúdo precisa de atenção. Não explica, sozinha, o que está acontecendo com uma pessoa. A comparação com colegas, a pressão por escolha profissional, a exposição em redes sociais, o medo de decepcionar e o desejo de pertencer podem atravessar a relação com a escola de maneiras diferentes.
Nem toda fase difícil pede uma resposta imediata. Em alguns casos, o primeiro passo é sustentar uma conversa sem pressa e observar se há mudanças persistentes que merecem apoio profissional. Escola, família e rede de cuidado podem ter papéis complementares, sem transformar o adolescente em um problema a ser resolvido.
Na psicanálise, falar de estudo, cobrança e futuro pode abrir uma escuta sobre desejo, medo, responsabilidade e lugar nas relações. Não para produzir uma fórmula de rendimento, mas para que a pessoa encontre palavras para aquilo que, às vezes, aparece apenas como pressão.
Fonte: Nota Técnica nº 5/2026 — Programa Saúde na Escola, Ministério da Saúde.
Conteúdo educativo; não substitui psicoterapia, acompanhamento individual em saúde mental ou atendimento de urgência.