Saúde emocional

Quando os dados sobre adolescentes pedem mais escuta — e menos rótulos.

Por Dra. Gabriela Seabra25 de julho de 20264 min de leitura
Adolescente em espaço acolhedor, representando escuta e apoio.

Quando uma pesquisa chama atenção para a saúde mental de adolescentes, a reação mais comum é procurar uma resposta rápida: o que está acontecendo? O que os adultos devem fazer? Como identificar um problema?

A PeNSE 2024, divulgada pelo IBGE, traz a saúde mental de estudantes para o centro do debate ao abordar amizade, ansiedade, tristeza, humor e vontade de se machucar. Os dados merecem atenção. Mas atenção não é sinônimo de vigilância, diagnóstico à distância ou tentativa de encaixar todo silêncio em uma explicação.

O que uma conversa pode oferecer

Muitos adolescentes não começam falando diretamente sobre sofrimento. Às vezes, o que aparece é irritação, cansaço, afastamento ou uma frase aparentemente solta. Acolher pode ser menos sobre encontrar a pergunta perfeita e mais sobre mostrar que existe espaço para falar sem ser interrompido, corrigido ou diminuído.

Frases simples ajudam: “Quer me contar mais?”, “Como tem sido para você?” e “Há alguém com quem você se sente à vontade?”. Não são fórmulas. São maneiras de dizer que a experiência do outro pode ser recebida com respeito.

Entre presença e limite

Estar disponível não significa vigiar cada gesto. Significa sustentar uma presença que respeita privacidade, limites e tempo. Família, escola, amigos, serviços de saúde e profissionais podem formar uma rede de apoio com papéis diferentes.

Quando o sofrimento persiste ou passa a comprometer sono, relações, escola, trabalho ou rotina, buscar ajuda profissional pode ser um passo importante de cuidado. Em situações de risco imediato, a prioridade é procurar um serviço de urgência da região.

O debate público é necessário. Mas ele fica mais humano quando troca o impulso de rotular pelo compromisso de escutar. Nenhuma estatística resume uma pessoa; ela pode, no entanto, nos lembrar de que pedir ajuda precisa ser possível.

Fonte: IBGE — Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024).

Conteúdo educativo; não substitui psicoterapia, atendimento de urgência ou avaliação profissional individual.

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