Psicanálise

Quando as apostas online atravessam a conversa de casa: acolher não é vigiar.

Por Dra. Gabriela Seabra29 de julho de 2026leitura de 4 min
Dois adultos conversam com atenção em uma mesa de casa, em ambiente acolhedor.

As apostas online estão cada vez mais presentes no cotidiano, nos celulares, nas transmissões esportivas e nas conversas entre amigos. Quando esse tema começa a atravessar a rotina de uma casa, a primeira reação pode ser acusar, vigiar ou tentar resolver tudo em uma única conversa. Mas medo e vergonha costumam tornar o assunto ainda mais difícil de dizer.

O Ministério da Saúde lançou recentemente uma campanha sobre os riscos associados ao uso problemático de plataformas de apostas e sobre os caminhos de acolhimento disponíveis no SUS. A notícia não é um convite para que famílias assumam o papel de diagnosticar alguém. É um lembrete de que mudanças persistentes na rotina, no sono, nas relações ou na situação financeira merecem atenção e apoio.

A conversa pode começar sem interrogatório

Em vez de começar pela cobrança, pode ser mais útil nomear a preocupação de forma concreta: “Tenho percebido que isso está te deixando muito tenso” ou “parece que esse assunto tem ocupado muito espaço entre nós”. Não há frase perfeita. Há a possibilidade de falar sem reduzir a pessoa ao comportamento que preocupa.

Escutar não significa aprovar tudo. Significa abrir uma porta para que a conversa não vire apenas defesa, mentira ou afastamento. Limites claros podem ser necessários, sobretudo quando há impacto sobre orçamento, responsabilidades compartilhadas ou segurança emocional. Mas limite e humilhação são coisas diferentes.

Apoio não precisa acontecer sozinho

Quando uma situação ultrapassa o que a família consegue sustentar, procurar ajuda é uma forma de cuidado, não de fracasso. O SUS informa que pessoas afetadas e familiares podem buscar acolhimento em uma Unidade Básica de Saúde e, quando indicado, acesso à rede especializada. A plataforma Meu SUS Digital também reúne caminhos de orientação para problemas relacionados a jogos e apostas.

Em situações de risco imediato, ameaça ou violência, a prioridade é buscar o serviço de urgência da região e preservar a segurança de todos. Fora desses momentos, uma conversa respeitosa pode ser o começo de algo importante: reconhecer que ninguém precisa lidar sozinho com aquilo que está ficando pesado demais.

Fonte: Ministério da Saúde — campanha sobre apostas online e saúde mental.

Conteúdo educativo; não substitui psicoterapia, avaliação profissional ou atendimento de urgência.

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